Psicanálise
Periphérica
Uma escuta anticolonial e situada das subjetividades periféricas
18 meses de formação viva, rizomática e comprometida com as vozes das margens
DURAÇÃO
18 meses
CARGA
360 horas
NÍVEL
Especialização
LANÇAMENTO 2026
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Psicanálise Periphérica
O conceito de Psicanalista Periphérico está em um contexto de interseção entre os campos da subjetividade, política e cultura. Ao reconhecer as exclusões que comparecem na clínica impostas pelos embaixadores da tríade opressivas: racismo, misoginia e capitalismo*, não se limita a uma prática clínica clássica. Munido de uma escuta anticolonial e herética, o psicanalista periphérico não é apenas aquele que clinica nas margens geográficas da sociedade, mas agencia afetos e subjetividades centralizando vozes historicamente marginalizadas pelo inconsciente.
As subjetividades periféricas são moldadas pelas exclusões sistemáticas impostas pelos embaixadores da tríade opressora. Esse mecanismo opera como uma engrenagem de forclusão, apagando experiências que não se ajustam aos moldes hegemônicos de poder e pertencimento. Por isso, o psicanalista periphérico atende as margens como um sinthoma social, um barramento feito de resistências contra as estruturas de poder que silenciam potências e homogeneízam subjetividades dissidentes.
A prática do psicanalista periphérico rompe com as hierarquias simbólicas e epistemológicas impostas pela branquitude e pelo conservadorismo. Ela se volta para os aspectos pulsionais e alienados do desejo na direção dos novos modos de gozo. Esses modos desafiam as normas impostas pelo Outro Colonial. Expõe e denuncia os mecanismos de repetição transferencial da colonialidade e da necropolítica pulsional, retirando-os das sombras e revelando sua função na perpetuação das violências e da exaustão nos corpos dissidentes.
A posição ética e política do psicanalista periphérico não apenas escuta, mas age politicamente ao criar aberturas de fala e escuta para aqueles que historicamente foram silenciados. Ele opera na linha do desejo ativista, entre a clínica e a militância, reconhecendo que o inconsciente também é atravessado por dinâmicas de exclusão e resistência.
* Leila Gonzalez e Jacques Lacan
Conceitos-Chave
EU RASURADO
Oposto ao conceito do Eu Soberano da psicanalista Elizabeth Roudinesco refere-se à subjetividade negra apagada pela estrutura colonial. O eu rasurado não é apenas excluído simbolicamente, mas se torna um resto excessivo, uma identidade negada e ao mesmo tempo presente como angústia inquietante para o Outro branco. Esse conceito se opõe à ideia de um sujeito negro passivo, reivindicando uma posição de insurgência e criação.
ESCUTA PERIPHÉRICA
Uma escuta psicanalítica que rompe com a neutralidade e a assepsia da clínica tradicional, reconhecendo que a subjetividade periférica é atravessada por estruturas de opressão, principalmente, racial, de classe e de gênero. A escuta periphérica não apenas acolhe essas experiências, mas legitima suas narrativas, questionando a lógica eurocêntrica da psicanálise tradicional.
ESCUTA BANCÁRIA
Representa uma forma de escuta psicanalítica que apenas mantém o status quo, sem questionar as estruturas sociais que produzem sofrimento psíquico que comparece na clínica. Esse tipo de escuta é alinhado à lógica da psicanálise normativa, que desconsidera os impactos do racismo estrutural e busca a adaptação do sujeito à ordem vigente.
ESCUTA ADESTRADA
Refere-se a uma prática psicanalítica que repete mecanicamente os conceitos freudianos e lacanianos, sem considerá-los à luz da experiência periférica em contextos brasileiros. É uma escuta que não permite novas articulações, operando dentro de uma rigidez teórica que perpetua a alienação.
TRAUMA DESTRUINTE
Diferente da concepção freudiana de trauma, que pode ser elaborado e simbolizado, o trauma destruinte é um trauma estrutural, incessantemente reinscrito no Real, especialmente no corpo periférico. Ele não se resolve na clínica individual, pois é sustentado por uma sociedade racista, sendo sua única possibilidade de cessação a destruição da estrutura que o impõe.
DORIDADE
Uma forma de nomear a dor específica das experiências negras e periféricas, que não pode ser reduzida a uma dor universal. A doridade reconhece que o sofrimento preto tem um caráter estrutural e histórico, sendo necessário criar categorias próprias para nomeá-lo e compreendê-lo.
Formar psicanalistas capazes de escutar sujeitos marcados pelo colonialismo, racismo e violências estruturais.
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Objetivo
Compreendemos que a formação de um Especialista em Psicanálise Periphérica exige um compromisso simultâneo com a escuta, a produção de conhecimento e a transformação social. Nossa proposta é de uma formação viva, rizomática e situada, que parta da experiência dos sujeitos negros, indígenas, LGBTQIAPN+ e das margens da sociedade.
Público-Alvo
Candidatos com diploma de ensino superior de qualquer área do conhecimento, que desejam ingressar ou dar continuidade ao estudo da psicanálise com perspectiva crítica, anticolonial e comprometida com as margens.
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